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Desde: 28/08/2003      Publicadas: 55      Atualização: 20/03/2006

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  10/04/2004
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'Democratic Control'

As recentes demonstrações da fragilidade dos EUA em debelar a reação iraquiana à ocupação revelaram-se a oportunidade que o mundo esperava para conhecer o tipo de "democracia" que se pretende implantar naquelas bandas

A empreitada do presidente George W. Bush no Iraque passa por momentos que demonstram o previsível: os EUA ocupariam aquele país, mas não iriam conseguir governá-lo. Ironia anunciada numa série da própria TV norte-americana exibida aqui no Brasi pelo SBT - “Freedom”.
Na série de TV, os EUA sofrem um golpe militar e o país passa a viver sob uma ditadura. Nos subterrâneos que o poder ditatorial nunca alcança - como é o caso do Iraque pós-Saddam Hussein -, surge uma resistência feroz ao regime implantado à força. E não cesam os ataques ao governo, os atentados e outras formas de resistência.
Claro que os grupos contrários ao governo ditatorial - tanto no Iraque quanto no seriado - são chamados de “terroristas”. E no caso concreto iraquiano, os EUA anunciaram desde cedo que implantariam uma “democracia”.
Para tanto, permitiram o corte de barba, o uso de outros estilos de roupas, a execução de músicas de outros países - uma abertura de mercado que parecia fazer bem aos ouvidos de empresas de várias partes do mundo. E até anunciaram uma medida mais “agressiva”: permitiram a instalação de algo que o regime de Saddam abominava - um sistema de comunicação, a criação de órgãos de imprensa no país.
No começo deste mês, além das complicações pelo fato de não cessarem as hostilidades dos grupos anti-americanos em vários pontos, os EUA dizem ter sido obrigados a tomar uma iniciativa que em nada contribuem para a efetivação da tal democracai que prometem vão estabelecer no país. Trata-se do fechamento de jornais, dentreos tantos que surgiram no Iraque depois da invasão americana.
Paul Bremmer, administrador do Iraque, disse que os iraquianos não deveriam confundir “liberdade de expressão com terrorismo”. Nesse caso, um dos jornais fechados havia reproduzido fotos que mostravam algo que não interessa aos EUA: quatro dos seguranças do administrador Bremmer mortos numa emboscada pendurados numa ponte em Fallujah. Detalhe: isso depois dos corpos dos mortos terem sido carbonizados e arrastados pelas ruas da cidade por grupos enfurecidos.
Independente da posição do leitor acerca da política externa dos EUA no caso do Iraque, cabem observações inquietantes: pode existir um controle democrático? (democratic control, seria em inglês). Isso não seria uma reprodução do que acontece no dito mundo democrático, já que não se pode - também por aqui - falar tudo o que se quer e que deve?
Basta acompanharmos a cobertura que as agências internacionais e os grandes veículos (TVs, rádios e jornais) dão aos assuntos do mundo. O enfoque é, quase sempre, do interese das grandes empresas ou dos governos dos países ricos. E algumas denominações são usadas conforme a conveniência. “Terrorista”, por exemplo, é sempre quando o atentado ou explosão a bomba não envolve um britânico, um norte-americano ou o exército israelense, e sim um árabe de um modo geral.
O ilustrativo caso da invasão iraquiana ao Kwait, em 1990, e que motivou a primeira “Guerra do Golfo” por Bush pai, mostrou essa visão: Saddam Hussein estava “anexando” um território. Hoje, ao dividir o território iraquiano entre companhias transnacionais de vários países, o governo dos EUA está apenas “levando a democracia”.
Em matéria de capa publicada no dia 4 passado, o jornal norte-americano “Washington Post” começou um jogo perigoso de acusaões ao Brasil. O “Post” disse ter informações de que o Brasil estarai “escondendo” um programa nuclear. Basta lembrar que a triste epopéia da invasão iraquiana começou com esse tipo de informação. Depois, os ingredientes são terrorista atuando aqui e acolá, o governo brasileiro negando e... sabe-se lá mais do que esse governo Bush é capaz!
Enfim, o tratamento que se dá à informação, e principalmente o uso que se faz desse instrumento que de fato deveria ser um dos pilares da democracia, torna-se cada vez mais questionável.
Fica-se cada vez mais com a sensação de que não é possível ser ter uma democracia completa, que sempre vai faltar algo. Outro episódio triste no campo internacional ocorrido na Espanha em 11 de março passado produziu, no Brasil, um efeito no mínimo curioso: pelo menos dois jornais de grande circulação manipularam digitalmente imagens que publicaram no dia seguintes ao atentado aos trens de Madri. A direção desses jornais alegaram “medo de reação” dos leitores quando vissem as fotos dos pedaços de corpos mutilados.
E fica a pergunta: é possível uma democracia sem controle?





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