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JORNAL PÁGINA 1
Desde: 28/08/2003      Publicadas: 55      Atualização: 20/03/2006

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 ENTREVISTAS

  31/03/2004
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Líder do governo fala sobre o trabalho na Câmara de SP, analisa a oposição e diz acreditar em aliança com Erundina

Aos 44 anos, no primeiro mandato e vindo de um bairro da periferia, o vereador João Antônio (PT) enumera realizações à frente da Liderança do Governo Marta Suplicy, critica o PSDB, fala sobre a reeleição da prefeita e conta como costurou a base de apoio governista que permitiu, dentre outras coisas, acabar com o que chama de ‘Indústria de CPIs’ no Legislativo.

Jornal Página 1 - O que representa para o seu mandato estar na liderança do governo Marta Suplicy?
João Antônio - Quando eu assumi o mandato de vereador em São Paulo, o meu maior desafio era não ser um vereador medíocre, apenas um “apertador de tecla” na hora de votar. Eu queria estabelecer uma relação com os principais temas da cidade. Com um ano e cinco meses de mandato, tive a felicidade de ser escolhido líder da bancada do PT. Cinco meses depois, tive a honra de ser escolhido pela prefeita como o seu líder na Câmara. Objetivamente, meu mandato se transformou porque o líder do governo tem a responsabilidade de articular todos os acordos entre todas as lideranças na Câmara, além de ser o responsável pela aprovação dos projetos do Executivo.
Página 1 - O que foi preciso aprender para o exercício do cargo?
João - Eu tive que me preparar para debater os principais temas da cidade. Tivemos a discussão do Plano Diretor Estratégico, do novo projeto de Transportes da Cidade. Foi preciso elaborar na Câmara uma legislação sobre antenas de telefonia celular na cidade, a lei que criou as subprefeituras. Obviamente, isso mudou não só o meu perfil de mandato como a minha postura de vereador.
Página 1 - Este é o seu primeiro mandato como vereador. Como o senhor, vindo de um bairro da periferia, chegou à líderança do governo?
João - Primeiro: isso é inédito. Um vereador, morador do Itaim Paulista, virar líder da prefeita. Segundo: foi importante do ponto de vista da perspectiva da cidade porque nós estamos neste momento fazendo um esforço muito grande para incluir a periferia da cidade no Planejamento Estratégico do município. Então, um líder do extremo leste é de uma simbologia muito grande para uma administração que pretende fazer com que os recursos públicos sejam investidos, principalmente na periferia. Dessa forma, seu líder vir de um bairro distante do centro, de onde o povo mais precisa, demonstra isso. Por outro lado, eu vejo que é uma mudança do comportamento político daqueles que dirigem o Executivo paulistano: a prefeita não está levando em conta apenas aquilo que representa o cidadão por conta do seu status social, e sim a competência, a capacidade que tem esse vereador para liderar o seu governo na Câmara Municipal de São Paulo. Por último, a lealdade. A prefeita Marta Suplicy valoriza muito a lealdade - e eu sempre fui uma pessoa leal ao seu governo.
Página 1 - Quais os principais projetos aprovados pelo governo durante o período em que o senhor é líder do governo Marta?
João - O meu primeiro teste e que nós não conseguimos aprovar nos dois primeiros anos do governo: a mudança da Prefeitura para o Viaduto do Chá, o Banespinha. Outro projeto importante foi o que permitiu que reorganizássemos o sistema de antenas de telefonia celular na cidade de São Paulo. Também aprovamos no nosso governo um Orçamento da cidade que saiu dos R$ 11 bilhões para R$ 14 bilhões com uma certa tranqüilidade. Aprovamos em primeira votação e aprovaremos em Segunda os Conselhos de Representantes. O maior índice de projetos aprovados na Câmara Municipal foi sob a minha liderança. No primeiro ano do governo Marta Suplicy, aprovamos - de iniciativa do Executivo - 45 projetos; no segundo ano, 64; e sob a minha liderança, aprovamos 87 projetos - esses no ano passado. O Legislativo alcançou uma grande produtividade no tocante a projetos de iniciativa do Executivo. Eu acho que foi um recorde na história da cidade de São Paulo. Claro que também a produtividade no que diz respeito a projetos de iniciativa do próprio Legislativo foi grande: aprovamos 220 projetos dos vereadores em 2003.
Página 1 - O senhor atribui essa “produtividade” a quais fatores?
João - Eu consegui construir uma harmonia entre o Executivo e o Legislativo. Saímos de uma base governista na época do líder anterior de cerca de 34 vereadores para 45 vereadores. Antes, o número de partidos de oposição era grande, e nós conseguimos reduzir a oposição apenas ao PSDB e mais um vereador do PFL, já que o outro sempre vota com os projetos governistas.
Página 1 - Politicamente, qual é a sua maior conquista no cargo?
João - A nossa maior conquista política foi ter acabado com “ indústria de CPIs” na Câmara Municipal. Aquela história da CPI automática, que tinha que ter cinco funcionando. Hoje, uma CPI só é instalada se realmente tiver um assunto relevante porque não é possível você trabalhar um Legislativo onde permanentemente - mesmo que não haja necessidade ou não tenha apelo ou denúncias - ter cinco CPIs funcionando. Você precisar ficar inventando temas para esse fim.
Página 1 - E como se conseguiu essa mudança?
João - Fizemos um amplo acordo na Câmara Municipal e hoje elas só funcionam se tiver tema relevante. Eu acho isso importante porque CPIs partem de uma necessidade. O Legislativo tem que investigar mesmo o Poder Executivo. Ao contrário de anos de anos anteriores, nós não podemos transformar a Câmara Municipal num “balcão de negócios” com as CPIs, e muito menos CPIs para defender interesses particulares.
Página 1 - Como este governo e seu líder se relacionam com a bancada do PSDB?
João - Eu procuro me relacionar com todos. É pena que o PSDB tenha um discurso onde ele é oposição e outro discurso onde ele é situação. Por exemplo: insistentemente, propõe CPI no Legislativo. Aqui na cidade de São Paulo, denunciaram o lixo - dizendo que havia problema no primeiro contrato de emergência firmado pela Prefeitura. Queriam uma CPI, nós fizemos. Falavam do funcionamento da administração, de como funcionavam as subprefeituras. Fizemos uma CPI para investigar essa questão. Já na Assembléia Legislativa, durante todo o governo Alckmin foram 38 pedidos de CPI. Sabe quantas funcionam na Assembléia Legislativa? Nenhuma hoje.
Página 1 - O PT é oposição no plano estadual...
João - Mas as denúncias publicadas na imprensa sobre o superfaturamento do Rodoanel, denúncias públicas, não foram investigadas. Passaram o rolo-compressor na oposição. Fizemos um pedido de CPI para investigar denúncias de maus-tratos na Febem, e também não deixaram fazer. Aquele escândalo fabuloso por parte do Goro Hama, que dirigia a CDHU, também não foi permitido que se instalasse uma CPI na Assembléia. De Maneira que o PSDB tem uma linguagem quando é governo e outra quando é oposição.
Página 1 - Até que ponto essa bancada do PSDB na Câmara pode atingir a idéia da reeleição da prefeita Marta Suplicy?
João - A Marta Suplicy vai ser reeleita por aquilo que ela está oferecendo à cidade de São Paulo. Na realidade, a reeleição dela será um balanço do seu governo. E o balanço da administração do PT é positivo. Aprovamos na Câmara Municipal o Plano Diretor Estratégico. Pensamos na cidade em suas várias áreas por mais 20 anos. Devemos incluir a periferia no planejamento estratégico. A prefeita implantou na cidade uma nova modalidade de educação com os CEUs, integrando a cultura, o esporte e a educação, e articulando com as escolas vizinhas e a comunidade. Esse é o futuro da educação no país. Voltando à questão dos transportes, não é mais aquela bagunça que era no tempo de Maluf e Pitta. Já estamos instituindo o bilhete único. Fora os mais de 30 terminais de ônibus, os corredores, o passa-rápido. Estamos integrando as principais vias para trazer desenvolvimento à região.
Página 1 - O governo tem algum projeto que o senhor consideraria “revolucionário” para Zona Leste?
João - A maior revolução na região Leste é a criação da Fundação Municipal de Ensino. Estamos votando até final de abril o projeto que possibilitará a criação da Universidade Pública Municipal. E com uma nova modalidade de acesso: os alunos que freqüentarão essa universidade acumularão “notas” conseguidas em sucessivos testes nos três anos do Ensino Médio, e isso possibilitará que eles, alunos de escolas publicas, passem a estudar na universidade. Esperamos já em 2005, se o projeto for aprovado, iniciar com 500 alunos na Universidade Pública Municipal.
Página 1 - Mas é freqüente se ouvir falar que a Prefeitura não tem o que mostrar...
João - A população verá que aquilo que foi feito nos últimos três anos não foi feito nos últimos vinte anos na cidade de São Paulo.
Página 1 - E quanto ao distrito de Itaim Paulista, onde o senhor tem sua base eleitoral, como tem sido o governo do PT no âmbito local?
João - O maior acerto da prefeita Marta Suplicy foi escolher um subprefeito com capacidade, com equilíbrio, sem sectarismo, que consegue ouvir todas as forças do bairro, para além do PT. E o subprefeito João Francisco consegue encaminhar esse diálogo.
Página 1 - Quais números e realizações o senhor citaria para ilustrar essa importância que o governo do PT teria dado ao Itaim Paulista?
João - A primeira conquista foi a Subprefeitura. Segunda conquista: uma reivindicação que foi o viaduto da Vila Itaim, uma luta de décadas. Somos a única Subprefeitura da cidade que tem 2 dos 17 CEUs construídos na sua área territorial. Também fizemos a reforma de diversas praças e planejamos construir outras. Asfaltamos praticamente todas as ruas do Jardim Mabel, todas as ruas do Santana do Agreste; fechamos a malha asfáltica da Vila Alabama, uma luta de 40 anos. Recapeamos a Avenida Marechal Tito e diversas avenidas no bairro. De maneira que é um governo recordista em termos de investimentos aqui no Itaim Paulista.
Página 1 - Voltando ao exercício do cargo de líder do governo: o senhor paga um preço político maior que outros vereadores em termos de perda de espaço, já que não pode estar presente no bairro como os demais?
João - Eu diria que a função de líder do governo exige muito. Eu sou o primeiro a chegar na Câmara e o último a sair. E isso reduz o meu tempo de agenda para dedicar ao meu bairro, à minha região. Mas eu espero que a população do Itaim saiba avaliar a minha passagem pela Câmara pela minha capacidade de trazer recursos para o bairro. No segundo governo da Marta Suplicy o Itaim Paulista será outro.
Página 1 - Agora eu gostaria que o senhor contasse a sua origem pessoal e política
João - Nasci no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, na divisa com a Bahia, uma das regiões mais pobres do país. Meu pai e meus irmãos, como a imensa maioria dos moradores do Itaim Paulista, vieram para São Paulo para tentar melhorar as suas vidas. Quase todos os irmãos homens foram trabalhar na metalurgia. Militamos durante muitos anos nas organizações da Igreja Católica. Foi a Igreja que despertou em nós a consciência política.
Página 1 - E como foi sua aproximação com o PT?
João - Quando surgiu o PT, achamos conveniente nos filiarmos a um partido político para podermos fazer com que a história da política fosse mudada. E assim iniciamos nossa vida política. Fui presidente do PT do Itaim Paulista, fui Secretário-Geral do Diretório Municipal do partido, fui vice-presidente do PT municipal. Fui candidato a deputado estadual em 1986 e, por um curto período (três meses) assumi a função de deputado estadual. Em 2000 tive a felicidade de receber um mandato de vereador.
Página 1 - Quais semelhanças e diferenças o senhor apontaria entre o governo do PT da ex-prefeita Luiza Erundina e o governo do PT da prefeita Marta Suplicy?
João - A preocupação com o social é a grande semelhança. A prefeita Marta Suplicy também, aprendendo com os erros do passado. Já o que nos diferencia é que aprendemos com os nossos erros. Na época da Erundina tínhamos uma política estreita, não conseguimos fazer uma aliança ampla. Nós já tínhamos lá um esboço para criar as Subprefeiteituras e por falta de maioria não conseguimos também aprová-lo. Com os erros, nós não conseguimos deixar na cidade uma marca, algo que dissesse o que a Luiza Erundina fez pela cidade. Ela fez muito, mas para aqueles mais esclarecidos. Não ficou uma marca para os menos esclarecidos. Já a prefeita Marta Suplicy faz questão que a população entenda exatamente o que ela está fazendo. Do primeiro governo para o atual, ficamos mais maduros.
Página 1 - Nas eleições de outubro próximo, é bem provável que a ex-prefeita Luiza Erundina seja adversária de Marta nas urnas. O PT tem algum temor em relação à candidatura Erundina?
João - Em primeiro lugar, eu diria que a Luiza Erundina é muito respeitada dentro do PT. Mas ela cometeu um erro grave, o maior erro político da vida dela que foi sair do PT. É tanto que o erro está comprovado que não é a primeira vez que ela sai candidata fora do PT - já nas eleições passadas ela saiu candidata e chegou com pouco mais de 9% dos votos do eleitorado. De maneira que a prefeita Marta Suplicy não teme nenhuma candidatura, nem mesmo a da Luiza Erundina. O fundamental é que nós ainda acreditamos que é possível uma aliança com a ex-prefeita Erundina. Nâo queremos tratá-la como nossa adversária. Queremos a Luiza Erundina e o PSB do nosso lado. E vamos até o limite lutar para que essa aliança eleitoral seja feita para continuarmos governando a cidade de São Paulo, já que o partido dela está conosco desde o segundo turno das eleições passadas. Existe uma afinidade com o nosso governo. Não vejo sentido um partido que apoiou integralmente o governo Marta sair com candidatura própria numa eleição em que possivelmente será derrotada, segundo apontam as pesquisas, pelo menos as pesquisas iniciais.
Página 1 - Qual é a sua avaliação sobre uma provável candidatura do ex-prefeito Paulo Maluf á Prefeitura neste ano?
João - Imagino eu que se não tiver nenhum processo transitado e julgado - com uma sentença final que o impeça de ser candidato - ele sairá candidato. Ele será candidato e, obviamente, não será prefeito porque a população sabe quem é o Maluf. Quem faz o governo que faz, como o PT, não teme nenhum candidato...
Página 1 - Nem mesmo o secretário Saulo de Castro Abreu Filho, da Segurança Pública Estadual?
João - Esse é o melhor para o PT porque quem fez uma administração na área de segurança pública como o PSDB, não tem moral para se apresentar com soluções para os problemas da cidade de São Paulo. O povo honesto tem medo de andar nas ruas. O Saulo precisa primeiro fazer um balanço do seu governo na área de Segurança, fazer uma autocrítica para se credenciar a uma candidatura a prefeito. O balanço da população é que a segurança pública é um caos.
(Entrevista concedida ao jornalista DJAIR GALVÃO FREIRE, diretor de Redação do Jornal Página 1)





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