| Login | Crie o seu Jornal Online FREE!

JORNAL PÁGINA 1
Desde: 28/08/2003      Publicadas: 55      Atualização: 20/03/2006

Capa |  CIDADE  |  COMUNICAÇÃO  |  CRÍTICA DA CRÍTICA  |  CULTURAL  |  ECONOMIA  |  EDUCAÇÃO  |  ENTREVISTAS  |  ERMELINO MATARAZZO  |  ESPORTES  |  GUAIANASES  |  HISTÓRIA  |  INFORMÁTICA  |  ITAIM PAULISTA  |  ITAQUERA  |  PÁGINA 1  |  POLÍTICA  |  SÃO MIGUEL  |  ÚLTIMAS


 CRÍTICA DA CRÍTICA

  31/03/2004
  3 comentário(s)


Das Cinzas

O fotógrafo e livreiro Jonilson Montalvão reflete sobre a condição da cultura e o caos reinante no transporte público sobre trilhos na cidade, ao mesmo tempo em que isso mexe com as necessidades dos moradores da periferia serem levados ao universo cultural paulistano

Os trens que circulam pela cidade são um amontoado de ferros (trem-de-ferro), enferrujados. Cada vagão aleatoriamente circundado pelo descaso do poder público, que numa hipocrisia sádica, faz questão de mantê-los circulando numa linha férrea atordoada pela incapacidade administrativa que atravessa o tempo e perde-se na nossa memória incapaz de qualquer ato.
Desde cedo fui sendo “obrigado” a me locomover nesses transportes, sempre cheios de lixo, até porque a própria população, sem compreender muito, é quase obrigada a sujar o próprio meio que utiliza para locomoção. Num ato contínuo vou observando e sendo observado por meus pares que me acompanham nessa viagem antagônica pela estrada de ferro; sem querer, durmo com o livro sobre o colo.
Morar numa periferia é algo extravagante. Gosto de morar aqui no Itaim Paulista, mas o que faço aqui? Gostaria de viver mais esse e nesse bairro, mas ao mesmo tempo quero me mudar. Essa dualidade, acho, que acompanha muitas pessoas que por aqui se fixaram, por acaso ou descaso. Trabalho no bairro, isso significa que, no mínimo, fico por aqui 4 horas, mas quando vou ao cinema, ou outro lugar para me divertir, tenho que sair do bairro; são poucas as vezes que fico aqui para alguma diversão. Lógico que tem as festas, as cervejas com os amigos, mas e o resto? Algo de surreal prevalece nesse mundinho: alguns moradores da periferia (será só aqui?) se contentam com tão pouco; fico pensando como isso poderia ser mudado, ou não! Será que essas pessoas querem esse tipo de vida mesmo? Falta-lhes oportunidade? Mas quem sou eu para julgar alguém? Mas nessa filosofia toda prevalece sempre o preconceito (meu também) e de outros que já sofrem todo os tipos de atrocidades, é uma forma de tirar de si próprio o peso da vida e repassá-las a outro. Isso acontece quase sempre, não percebemos a nossa incompetência em relação a nada, principalmente nos tratos a outros seres. Mas morar na periferia não implicaria muito se esse mundo fosse descoberto.
Aliás, nem a palavra periferia denotaria esse sentido. O símbolo da palavra é mais forte que tudo, essa exclusão social, segregação mesmo. Então temos esse transporte “sucata-moribunda” nos revelando nosso ser coletivo que cada vez mais vai transformando-se, também, num amontoado de sucatas sem expressão e, por outro lado, a vida abandonada causticamente também muda. E é essa a mudança que a periferia terá que encontrar; desde os trens sucateados, até a cultura destruída, mas resistente e renovadora, como no mito grego de Fênix.





Capa |  CIDADE  |  COMUNICAÇÃO  |  CRÍTICA DA CRÍTICA  |  CULTURAL  |  ECONOMIA  |  EDUCAÇÃO  |  ENTREVISTAS  |  ERMELINO MATARAZZO  |  ESPORTES  |  GUAIANASES  |  HISTÓRIA  |  INFORMÁTICA  |  ITAIM PAULISTA  |  ITAQUERA  |  PÁGINA 1  |  POLÍTICA  |  SÃO MIGUEL  |  ÚLTIMAS
Busca em

  
55 Notícias